Antes de empreender e liderar três farmácias, Nélio Batista, 39 anos, trabalhou por 8 anos no balcão. Em 2010, cansado da estagnação profissional, resolveu arriscar e abriu sua primeira drogaria, a Águas Farma, com apenas R$ 20 mil em Caucaia do Alto, distrito de Cotia (SP). O irmão também investiu no negócio, e se tornaram sócios. Nos seis primeiros meses, Nélio trabalhou sem retiradas da farmácia, vivendo apenas com a parcela do seguro-desemprego, fruto da época em que era balconista de drogaria.
Devido ao capital inicial limitado, a farmácia começou pequena, com um salão simples. “Montamos o estoque com muita dificuldade, pegando com distribuidores um pouco de cada item. Eu tinha experiência como balconista, mas não como empreendedor. Sentia-me perdido, mas segui em frente”, conta ele.
Mão na massa antes de ter funcionários
Como é de costume para quem está começando, Nélio fazia todas as tarefas operacionais: comprava, vendia, dispensava medicamentos, aplicava injeção, fazia entregas. “Naquela época, eu não tinha condições de ter um farmacêutico em horário integral, por isso contratei um apenas para assinar pela farmácia, o que me causou muitos problemas com a fiscalização”, recorda ele. Atualmente, as normas sanitárias exigem farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento da farmácia, mas nem sempre foi assim.
A sociedade iniciou-se bem, mas, com o passar do tempo, as diferenças entre Nélio e o irmão começaram a deteriorar a relação. “Não estava mais funcionando. Era uma parceria desigual. Em uma ocasião parei para fazer uma lista de tarefas. Listei 47 atividades sob a minha responsabilidade e apenas sete sob a dele. Isso me causava muito desconforto, mas eu prosseguia na minha jornada.”
Pressionado pela fiscalização e ciente de que precisava evoluir, Nélio decidiu cursar Farmácia. Apesar de todas as adversidades, como a doença renal da filha pequena, os desgastes da sociedade e o mau desempenho da farmácia, o empresário conseguiu concluir a faculdade com a ajuda de um fundo estudantil, que, inclusive, paga até hoje.
Paralelamente, ele planejava levar a primeira farmácia para um ponto maior. “Para viabilizar essa mudança, fechei um acordo com o BNDES para investir em móveis planejados, mas tive de desistir do novo ponto porque o proprietário do imóvel resolveu colocar o valor do aluguel além do que eu poderia pagar”, conta. Conclusão: Uma dívida com o BNDES, móveis sem destino e a permanência no ponto antigo.
Visão empreendedora mesmo em cenário adverso
Veio a ideia de procurar um novo local na cidade Vargem Grande Paulista, vizinha de Cotia, onde encontrou um salão que precisava de reformas, mas, pelo menos, era grande o suficiente para os móveis planejados que já havia comprado. Para fazer a obra, Nélio arriscou um segundo empréstimo, mas a dona do imóvel alugou para um concorrente, que ofereceu o dobro do aluguel. Nélio agora tinha duas dívidas e os móveis.
Um amigo indicou uma farmácia à venda em um ponto dentro do estacionamento de um supermercado, também em Itapevi, mas que estava falindo e faturava apenas R$ 25 mil por mês. Mesmo assim, a proprietária pedia R$ 200 mil na drogaria, quase dez vezes o faturamento mensal. Nélio, vendo o potencial do ponto, negociou e fechou a compra por R$ 180 mil.
Após a reforma, em pouco tempo, a farmácia de Itapevi deslanchou e passou a faturar o mesmo valor que havia sido pago por Nélio na aquisição do ponto. No entanto, o fim da sociedade provocou outro tombo. No acordo, Nélio ficou com a farmácia menor, de Caucaia, que faturava cerca de R$ 60 mil por mês, e o irmão, com a de Itapevi, cujo faturamento era o dobro. Apesar de tudo, ajudou o irmão, compartilhando fornecedores, maquininha de cartão e cedendo funcionários.
Cerca de dois anos depois, surgiu a oportunidade de comprar outra farmácia no mesmo bairro, em Itapevi, a cerca de 2 km da drogaria do irmão. O empresário assumiu o risco e comprou sua segunda farmácia. Logo depois, veio a terceira, em Cotia. Atualmente, as três lojas faturam bem, com lucratividade acima da média.
Economia tributária impulsiona crescimento
Em determinado momento, Nélio tomou a decisão de reavaliar o planejamento tributário do negócio na expectativa de melhorar a lucratividade. Após a análise tributária da Farma Contábil, o empresário tomou duas decisões: mudar de contabilidade e trocar de regime tributário, saindo do Simples e passando para o Lucro Real. A segunda decisão promoveu uma economia tributária de mais de R$ 15 mil mensais no pagamento de impostos.
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Outra decisão que impactou positivamente o sucesso da Águas Farma foi a de investir em mais conhecimento sobre gestão e liderança. Nélio criou seu próprio centro de treinamento: a Academia de Liderança, cujo objetivo é desenvolver internamente a equipe. Atualmente, são cerca de 50 colaboradores, que recebem acima da média do mercado.
E você acha que Nélio parou por aqui? Não! Paralelamente, ele desenvolveu uma empresa de mentoria, para compartilhar o conhecimento adquirido na gestão das farmácias. Hoje, Nélio ajuda outros empresários. E sonha em transformar a Águas Farma em franquia.
Esperamos que a história de Nélio Batista inspire a sua jornada e lhe mostre como tudo é possível quando acreditamos e buscamos conhecimento. E conte sempre com a Farma Contábil para ser uma parceria no seu crescimento.







