Não perca o prazo da NR-1

Farmácias deverão informar ao eSocial quais ações realizam para mitigar os riscos psicossociais.
Como reduzir a rotatividade nas farmácias e manter sua equipe engajada
Rafaeli Wingler, especialista em Gestão de Pessoas na Won.
Sumário

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1) trouxe um recado direto e inadiável para o varejo farmacêutico: todas as farmácias que possuem funcionários, independentemente do porte, são obrigadas a gerenciar também os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Não se trata mais de uma recomendação de boas práticas, mas de uma exigência legal cuja fiscalização ganhou força após o período educativo e passará a ser fiscalizada a partir de 26 de maio de 2026, sob supervisão do Ministério do Trabalho e Emprego.

Na prática, isso significa que o tradicional cuidado com riscos físicos, químicos e biológicos agora precisa ser ampliado para incluir fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, pressão sem suporte, conflitos de equipe e, principalmente, a falta de clareza nas funções. Esses elementos, muitas vezes naturalizados na rotina das farmácias, passaram a ser reconhecidos formalmente como riscos ocupacionais que afetam a saúde mental dos colaboradores e, por consequência, o desempenho do negócio.

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Primeiro passo é um diagnóstico dos riscos existentes

A NR-1 determina que esses riscos estejam contemplados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), dentro do escopo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). “Não é possível aplicar um modelo genérico para todas as unidades de uma rede. Cada farmácia possui dinâmicas próprias, equipes diferentes, fluxos distintos e problemas específicos. Por isso, precisamos fazer um diagnóstico técnico individualizado em cada loja, capaz de identificar onde, de fato, estão os riscos psicossociais daquele ambiente”, explica Rafaeli Wingler, especialista em gestão de RH da WON.

Esse diagnóstico dá origem ao inventário de riscos, que deve ser formalmente registrado no PGR, mesmo que a farmácia apresente poucos problemas aparentes. “A partir desse levantamento, vamos construir um programa de ação, geralmente com duração de 12 meses, com medidas concretas para mitigar os riscos encontrados. É importante compreender que a NR-1 não exige tratamento clínico individual dos colaboradores, mas sim o gerenciamento coletivo do ambiente de trabalho, ajustando processos, rotinas, lideranças e comunicação”, acrescenta Rafaeli.

Ruídos de comunicação interna favorecem ambiente tóxico

E é justamente na comunicação interna que muitas farmácias encontram um dos maiores focos de risco psicossocial. Falta de clareza sobre papéis, ordens contraditórias, ausência de feedback, informações mal transmitidas e não checadas geram insegurança, ansiedade e conflitos. A norma, portanto, acaba exigindo das farmácias algo que vai muito além de um documento técnico: exige gestão consciente da forma como as pessoas se relacionam e trabalham juntas.

Ignorar essa exigência pode sair caro. Além das multas aplicadas pelo Ministério do Trabalho, o descumprimento da NR-1 aumenta a rotatividade de funcionários, gera custos com horas extras por falta de pessoal, favorece o surgimento de processos trabalhistas e contribui para um cenário cada vez mais comum de afastamentos pelo INSS por questões emocionais. O impacto deixa de ser apenas legal e passa a ser financeiro e operacional.

Outro ponto de atenção é a necessidade de informar corretamente as ações do GRO e do PGR por meio do eSocial. A ausência desse registro pode gerar irregularidades fiscais e contábeis, ampliando ainda mais o risco para a empresa.

Prevenir continua sendo melhor que remediar

Ao mesmo tempo, a adequação à NR-1 revela um importante insight de gestão: a prevenção é um investimento. Ambientes organizados, com funções claras, comunicação eficiente e liderança preparada reduzem o turnover, melhoram o padrão de atendimento ao cliente e fortalecem a cultura da equipe. “Quem não previne paga em gente, em tempo e em dinheiro”, alerta a especialista.

Dessa forma, cumprir a NR-1 deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a ser uma oportunidade estratégica para as farmácias reverem sua gestão de pessoas, qualificarem seu ambiente de trabalho e transformarem a saúde mental da equipe em um diferencial competitivo do negócio.

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