O mercado farmacêutico brasileiro segue firme e em expansão, mesmo em um cenário econômico desafiador. Os números mais recentes mostram que, sim, vale a pena ter farmácia no Brasil, desde que o negócio seja conduzido com gestão profissional, acesso à informação e boas parcerias.
Crescimento acima da média do varejo
Nos últimos 12 meses (até agosto de 2025), o varejo farmacêutico cresceu 12,1%, um resultado expressivo e superior à média de outros setores do varejo, como moda, calçados e eletroeletrônicos. O faturamento do canal farmácia, segundo dados da Close-up, foi de R$ 230 bilhões. Em unidades, o crescimento foi de 4,4%, com 8,4 bilhões de itens vendidos no acumulado de agosto de 2024 a agosto de 2025.
Nos últimos cinco anos, no mercado total, a venda média mensal de uma farmácia ficou em torno de R$ 230 mil, um crescimento de 36,2%, 7 pontos percentuais acima da inflação no mesmo período, que registrou 29,25%. Esse crescimento é positivo na visão dos especialistas que acompanham o segmento e mostra que o canal farmácia é resiliente e está entre os que mais crescem no país.
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O que impulsiona esse crescimento
Segundo a Close-up International, o bom desempenho das farmácias vem de uma combinação de fatores estratégicos, entre eles, abertura de novas lojas, lojas em maturação, vendas digitais, sazonalidade e novos produtos que chegam ao mercado. O frio mais intenso em 2025 e a chegada das canetas emagrecedoras foram grandes impulsionadores desses bons resultados.
O mercado de prescrição vem puxando o crescimento do mercado farmacêutico, com faturamento de R$ 130 bilhões nos últimos 12 meses (MAT 08/2025). Os números mostram que de 2023 para 2025, a categoria de diabetes e obesidade saltou em representatividade, passando de 11,1% para 14,2% e faturando R$ 13,2 bilhões. Nos últimos 12 meses (mat 08/2025), o crescimento dessa categoria foi de 41,6%. Entre os produtos mais vendidos estão Wegovy (semaglutida), Forxiga (dapagliflozina), Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida).
Em relação ao canal digital, no trimestre de junho a agosto de 2025, o mercado farma faturou R$ 8,1 bilhões, um crescimento de 43,9% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, as vendas ainda estão concentradas nas grandes redes da Abrafarma, que ficaram com R$ 5,8 bilhões desse total no mesmo trimestre. Além dos números, vale a pena destacar que as vendas por meio de aplicativos próprios entre as redes está crescendo, superando inclusive o uso de aplicativos como WhatsApp, muito popular entre os independentes.
Destacam-se ainda fatores como tamanho da população, poder de consumo em expansão, diversidade do varejo – grande número de bandeiras distintas cobrindo cerca de 60% do mercado – e dinamismo competitivo, que também contribuem para um cenário positivo de crescimento.
Papel das associações e o desafio de se manter independente
Nem todas as farmácias prosperam no mesmo ritmo. Segundo estudos da Close-up, o associativismo vem crescendo de maneira significativa, com a Febrafar puxando esse crescimento nos últimos 5 anos: em 2021, representava 14% do mercado; em 2025, esse percentual é de 16%. A título de comparação, as demais federações passaram de 5% para 5,4%.
Como é de se esperar, o associativismo provoca retração no segmento de independentes, que caiu de 21,6% de participação para 18%. A migração dessas empresas para redes associativistas ocorre devido ao que oferecem: gestão baseada em dados, apoio técnico e acesso a informações de mercado.
Por outro lado, o independente que insiste em caminhar sozinho enfrenta dificuldades com baixo crescimento ou até mesmo encerramento de suas atividades por causa da falta de gestão profissional, precificação incorreta, regime tributário desfavorável e pouco uso de ferramentas de controle.
Foco certo: o balcão ainda é o coração do negócio
Apesar da diversificação de produtos, o medicamento continua sendo o motor do crescimento das farmácias, principalmente o mercado de medicamentos de prescrição, impulsionado pelas canetas emagrecedoras, como mostrado acima.
“A farmácia deve priorizar o balcão e o mix de medicamentos, pois é o que traz fluxo, fideliza clientes e gera o melhor faturamento por metro quadrado”, aconselha Vanessa Ribeiro, gerente de Insights Varejo Farma da Close-up Brasil.
Em relação à categoria de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), destacam-se produtos das subcategorias Respiratório e Dermatológico, com crescimento de 11,2% e 10,6%, respectivamente, entre agosto de 2024 e agosto de 2025.
Os não medicamentos também continuam crescendo, com faturamento de R$ 69,3 bilhões e crescimento de 6,9% no MAT 08/25. As subcategorias mais vendidas são Alimentos e Bebidas (13,1%) e Vitaminas e Suplementos (11,8%).
Para farmácias com dificuldades de espaço, apostar em medicamentos e dermocosméticos é uma estratégia inteligente: alto giro, boa margem e pouco espaço ocupado, segundo Vanessa.
Por que ainda vale a pena investir no varejo farma?
Mesmo com desafios, o setor farmacêutico reúne características que o tornam um dos negócios mais promissores do país, entre elas:
- Produto essencial: medicamento não é uma compra opcional, sendo prioridade no orçamento das famílias;
- Envelhecimento da população: o aumento da longevidade impulsiona o consumo contínuo de medicamentos.
- Crescimento do autocuidado: o brasileiro está mais preocupado com bem-estar, estética e prevenção;
- Rentabilidade sustentável: farmácias bem-geridas alcançam faturamento de R$ 1 a R$ 2 milhões por loja, especialmente as que ampliam o mix de produtos e conseguem chegar a 12 mil SKUs.
Portanto, sim, continua valendo a pena ter farmácia no Brasil, mas o sucesso não vem do acaso, pois ele depende de gestão, informação e estratégia. O mercado farmacêutico é forte, essencial e resiliente. Quem se profissionaliza, busca dados e se conecta com as redes certas encontra um negócio lucrativo, estável e de longo prazo.







