Simples Nacional vai mudar em breve

Entenda como a escolha entre Simples Puro e Simples Híbrido pode determinar o quanto de economia tributária você terá com a Reforma.
Simples Nacional vai mudar em breve
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Sumário

A Reforma Tributária já começou a mudar a rotina das empresas brasileiras e, para as farmácias enquadradas no Simples Nacional, uma decisão importante terá de ser tomada ainda em 2026. Entre 1º e 30 de setembro, os empresários precisarão escolher como irão recolher os novos tributos criados pela Reforma: permanecer no Simples Nacional Puro ou migrar para o chamado Simples Nacional Híbrido. A opção passará a valer a partir de janeiro de 2027 e poderá impactar diretamente a carga tributária, a formação de preços e a competitividade do negócio.

Embora o tema pareça complexo, entender as diferenças entre os dois modelos é fundamental para evitar custos desnecessários. E a escolha é obrigatória. A decisão deverá ser informada em setembro de 2026 e valerá para o primeiro semestre de 2027. Depois disso, em março de 2027, será necessário fazer uma nova opção para o segundo semestre. Isso significa que o empresário não poderá deixar a decisão para a última hora. Será preciso analisar previamente os impactos financeiros de cada modelo.

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O que muda entre o Simples Puro e o Simples Híbrido?

No Simples Nacional Puro, praticamente tudo continua funcionando de forma semelhante ao modelo atual. Os tributos continuam sendo recolhidos por meio de um percentual aplicado sobre o faturamento da empresa, apenas substituindo as regras atuais pelos novos tributos criados pela reforma.

Já no Simples Nacional Híbrido, a lógica muda parcialmente. A CBS e posteriormente o IBS passam a ser calculados pelo sistema de débito e crédito. Na prática, a empresa recolhe imposto sobre suas vendas, mas pode descontar o imposto pago na compra de mercadorias, no pagamento da energia elétrica e em diversos serviços utilizados na operação. Os demais tributos permanecem sendo recolhidos normalmente dentro da guia do Simples Nacional.

Fim da monofasia muda completamente o cenário

Para as farmácias, existe um fator que torna essa decisão ainda mais relevante: o fim da tributação monofásica de PIS e Cofins. Atualmente, a maior parte dos medicamentos já recolhe esses tributos na indústria. Por isso, a farmácia não paga novamente PIS e Cofins quando realiza a venda ao consumidor.

Com a reforma tributária, esse modelo será extinto. A partir de 2027, a CBS passará a incidir sobre o faturamento das vendas, alterando significativamente a tributação do setor. Essa mudança pode tornar o Simples Puro menos vantajoso para muitas farmácias.

Por que o Simples Híbrido tende a beneficiar o varejo farmacêutico?

Segundo Bruno Moura, contador e consultor tributário da Farma Contábil, o regime híbrido poderá gerar economia para boa parte das farmácias por um motivo simples: o elevado custo de mercadorias. No varejo farmacêutico, o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) costuma representar mais de 70% dos custos da farmácia.

Como o novo modelo permite aproveitar créditos tributários das compras, esse alto volume de aquisições pode reduzir significativamente o valor dos tributos a pagar.

Além das mercadorias, também poderão gerar créditos despesas como energia elétrica e diversos serviços contratados pela empresa, conforme as regras da reforma. Quanto maior a estrutura operacional da farmácia, maior tende a ser a importância desse aproveitamento de créditos.

Gestão fiscal exigirá muito mais organização

Se por um lado o modelo híbrido pode trazer economia, por outro exige uma gestão muito mais rigorosa. Será indispensável manter controle preciso das notas fiscais de entrada, dos documentos fiscais e das despesas que geram créditos tributários. Empresas que hoje têm pouca organização documental poderão enfrentar dificuldades para aproveitar todos os benefícios do novo sistema.

A reforma tributária também poderá gerar diferenças de preços entre empresas enquadradas em regimes distintos, já que a forma de cálculo e destaque dos tributos será diferente. Por isso, decisões comerciais e estratégias de precificação passarão a depender cada vez mais de um bom planejamento tributário.

Decisão deve ser baseada em números

Não existe uma resposta única sobre qual regime será melhor. A escolha dependerá da estrutura de custos da farmácia, do volume de compras, das despesas operacionais e da capacidade de gerar créditos tributários.

Os percentuais definitivos da CBS ainda não foram divulgados pelo governo. As estimativas do mercado variam entre 7% e 10%, mas esses valores ainda poderão passar por alterações.

Por esse motivo, a recomendação é que cada empresa realize simulações com a sua contabilidade antes do prazo de setembro de 2026.

Planejamento será a palavra de ordem

A reforma tributária não muda apenas a forma de recolher impostos. Ela exige uma nova forma de administrar a empresa. “Para as farmácias, esperar até setembro para analisar o tema pode significar perder oportunidades de economia ou até aumentar desnecessariamente a carga tributária. Quanto antes o planejamento começar, maiores serão as chances de escolher o regime mais adequado e manter a competitividade em um mercado cada vez mais desafiador”, alerta Bruno.

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