O crédito consignado ou crédito do trabalhador, como também é conhecido, para quem tem carteira assinada tem ampliado o acesso ao financiamento com desconto direto na folha de pagamento. Embora essa modalidade possa aumentar o poder de compra dos consumidores, ela também traz novos desafios para a gestão das farmácias, especialmente no relacionamento com os colaboradores e na administração financeira do negócio.
“Mais do que acompanhar uma tendência do mercado, o empresário precisa entender quais são suas responsabilidades legais e como evitar que o endividamento da equipe afete a saúde financeira da empresa”, alerta Liliane Rodrigues, Analista de Departamento Pessoal da Farma Contábil.
Como o crédito consignado pode impactar a farmácia?
Quando um colaborador compromete parte do salário com empréstimos, é comum que surjam reflexos no ambiente de trabalho.
Entre os principais impactos estão:
- aumento dos pedidos de adiantamento salarial;
- maior pressão sobre o fluxo de caixa da empresa;
- queda de produtividade;
- aumento das faltas e da rotatividade de funcionários.
Segundo Liliane, esses fatores exigem atenção dos gestores, pois podem comprometer tanto a operação quanto os resultados da farmácia.
Atenção às obrigações legais
A empresa não participa da contratação do empréstimo, mas possui uma responsabilidade importante: descontar corretamente as parcelas na folha de pagamento e repassar os valores ao banco dentro do prazo estabelecido.
Em geral, esse repasse deve ser realizado até o dia 20 de cada mês, juntamente com as obrigações relacionadas ao FGTS.
“Utilizar esses recursos temporariamente no caixa da empresa ou deixar de realizar o repasse pode gerar problemas trabalhistas e notificações pelos órgãos fiscalizadores”, acrescenta a especialista.
Existe um limite para os descontos
A legislação estabelece que o desconto do crédito consignado está limitado a 35% do salário do trabalhador.
Caso o funcionário já possua outros descontos em folha — como convênios, adiantamentos ou benefícios — e a soma ultrapasse esse limite, a empresa só poderá descontar o valor permitido por lei. A diferença deverá ser paga diretamente pelo colaborador ao banco.
Por isso, o controle da folha de pagamento passa a exigir ainda mais organização e acompanhamento.
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Educação financeira também faz parte da gestão
Uma das melhores formas de reduzir problemas é investir em educação financeira.
Palestras, treinamentos, comunicados internos e conversas com a equipe ajudam os colaboradores a compreender os riscos do endividamento e a utilizar o crédito de forma mais consciente.
Além disso, manter uma comunicação próxima entre o setor administrativo, o departamento pessoal e os gestores das lojas facilita o esclarecimento de dúvidas e evita conflitos relacionados aos descontos em folha.
Crédito deve ser visto de forma estratégica
Embora o acesso ao crédito possa estimular o consumo, enxergar essa modalidade apenas como um potencial impulsionador das vendas é um erro, de acordo com a analista.
A gestão estratégica da farmácia deve considerar também os impactos sobre o caixa, a organização do departamento pessoal e o bem-estar dos colaboradores.
Empresas que equilibram responsabilidade financeira, cumprimento das obrigações legais e ações de educação financeira tendem a reduzir riscos, preservar a produtividade da equipe e manter uma operação mais saudável e sustentável.








