Um dos erros mais comuns na gestão financeira de farmácias é confundir markup com margem de lucro. Embora estejam relacionados à formação do preço, eles não significam a mesma coisa.
O markup é aplicado sobre o custo do produto. Se a farmácia compra um item por R$ 10 e aplica 60%, o preço de venda será R$ 16. Já a margem de lucro bruta considera o preço de venda como referência. Nesse exemplo, os R$ 6 de ganho representam 37,5% de margem, e não 60%.
Essa diferença é importante porque as despesas da farmácia — impostos, folha, aluguel, comissões, energia e outras — são analisadas em relação ao faturamento. Usar o markup como referência pode distorcer a percepção sobre a rentabilidade do negócio.
Qual margem a farmácia precisa ter?
A resposta deve vir do próprio negócio. Segundo Cadri Awad, consultor em varejo farma e diretor do Instituto Bulla, referência em educação continuada no segmento, o gestor precisa analisar o Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE), identificar o quanto as despesas representam do faturamento e acrescentar o lucro líquido desejado.
“Se as despesas consomem 25% do faturamento e o objetivo é obter 10% de lucro líquido, por exemplo, a farmácia precisa trabalhar, em média, com 35% de margem bruta. A partir daí, calcula-se o markup necessário para alcançar essa margem”, explica o consultor.
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Margem varia de acordo com produtos e categorias
No varejo farmacêutico, aplicar a mesma margem em todos os produtos pode comprometer a competitividade. Itens muito comparados pelo consumidor podem exigir margens menores, enquanto outras categorias podem compensar essa redução.
“É a chamada precificação por compensação: o que importa não é a margem de cada produto isoladamente, mas a margem média e o resultado global da farmácia”, explica Cadri.
Por isso, aumentar o markup indiscriminadamente também não é a solução. Preços muito altos podem reduzir as vendas, comprometer o giro e dificultar o pagamento das despesas fixas. “Precificar bem é encontrar o equilíbrio entre custo, margem, preço de mercado e volume de vendas”, finaliza.








